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Como a desigualdade alavanca as crises

Há interligações entre as crises das democracias e da economia. Para superá-las, precisamos abandonar o individualismo egoísta e resgatar a ética na política, na cultura e nas instituições.

Sérgio Abranches lembra, no seu excelente livro “O tempo dos governantes incidentais”, que as grandes transformações se manifestam, no início, como crises. Não são poucas as que temos vivido. Os sistemas políticos deixaram de representar os interesses da maioria, os frutos do crescimento econômico se concentram nas mãos de poucos, e o planeta está sendo dilapidado. A pandemia embaralha as peças do jogo, impondo a necessidade de que o interesse coletivo seja levado em conta, tanto pelos governos responsáveis como pela população. Resta a todos — especialmente aos economistas, sociólogos e cientistas políticos — o enorme desafio de denunciar as fraturas e a obsolescência dos paradigmas dominantes de análise e previsão, além de pensar de maneira crítica, abrangente e criativa o que podem vir a ser novos caminhos. Exploro, aqui, aspectos da interligação entre a crise das democracias e a da economia.

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