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Do medo à esperança: o papel da sociedade civil
25 de março de 2021

Dificilmente os três Poderes provocariam tantos descalabros se não houvesse o ‘apagão cívico’. A sensação de impotência impede que as pessoas se lembrem de que só a união pode resolver um problema coletivo.
Embora o medo cumpra importante papel na evolução da espécie humana, indicando perigos potenciais à vida, por ser primitivo, ele facilmente extrapola sua função básica. Nesse caso, o medo bloqueia decisões racionais, envenena a esperança e impede a cooperação construtiva visando um futuro melhor, conforme bem descreve Martha Nussbaum em seu livro “The Monarchy of Fear” (2018). O medo nos leva a atitudes egoístas, negligentes e antissociais. Mais do que outras emoções, ele precisa de vigilância e inteligência para não se tornar tóxico. Se já era um grande desafio dominar nossos medos em condições normais, em meio a uma epidemia descontrolada, como a que nos aflige, vira uma tarefa hercúlea. Mas é a saída que nos resta, pois é preciso sobreviver e ajudar quem estiver em situação mais difícil que a nossa.